Não estou falando de alguém em especial, não estou revelando algo, não sei de nada, não estou procurando problemas, não estou procurando soluções, apenas escrevendo textos e postando. Não é mensagem. Não é código. Esses textos são ideias antigas, alguns carregam leves inspirações, mas definitivamente não são sobre ninguém, não são planos e não são conspirações.
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Enfim, hoje eu sonhei que estava na nascente do Rio Douro e seguia o rio até a foz, o rio era estranhamente sujo e eu me perguntei como podiam plantar uvas ali, pareciam boas uvas. Eu fui feliz ali também é engraçado, fiquei feliz sozinha no pico de um monte seguindo a correnteza de um rio.
Estava alí de braços abertos sentindo o vento arrefecer minha face, de braços abertos acima das nuvens e o vento gelado batia na minha face, enquanto eu olhava a rocha cinza sob mim. Olhando o horizonte não se via nada, nada. Eu fui feliz ali também.
Em outra vida eu fui um soldado escondido esperando o exército do Imperador César Augusto marchar contra mim, tão feroz, tão feroz fez meu povo se esconder nas cavernas. Lá eu também fui feliz, nas cavernas da Turquia, com medo de ter meu pequeno exército tomado de assalto. Eu também fui feliz sem nada, dividindo ração e me aquecendo com escudos. Eu dizia que venham contra nós.
Em outra vida fui a bruxa da vila, aquela de quem nada se esperava, nada valia, mas me procuravam quando precisavam. Alí eu fui feliz também. Estive sozinha em um deserto, apenas eu e meu caderno. Alí também consegui ser feliz. Tudo estava cinza quando eu fui uma senhora plantando flores. Consegui ser feliz ali também.
Ninguém é tão feliz quanto a pessoa que domina a solidão, ninguém encontra tão facilmente a paz de espírito e o caminho para se equilibrar quanto quem passou a vida buscando preencher-se daquilo que não recebeu tão facilmente do mundo.
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Querida Joana,
Todas as boas coisas que disse? Todas as boas coisas que fiz? Nada disso valeu a pena? Todas as vezes que fui agradável, essa parte você não viu? Quantas vezes eu salvei você? Quantas vezes eu tentei mais do que qualquer outra pessoa no mundo?
Lauro
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Lauro,
Eu revisitei algumas coisas que me disse. Às vezes, não há nada a perdoar, pois, infelizmente, não fui eu que errei. Quando você entrou na minha vida, eu era feliz. Sério, era mesmo. Eu ria fácil, ainda acreditava em algumas coisas, pensava sobre o futuro constantemente e imaginava que ele seria feliz, não apenas comigo, mas com todas as outras pessoas. Não sabia ao certo o que estava acontecendo, tinha muito medo, passava a maior parte do tempo me perguntando por que me tratava daquela forma, o que eu poderia ter feito.
Talvez você não se lembre, Lauro, mas você me enlouqueceu. Eu não conseguia mais me olhar no espelho, não me reconhecia mais nas minhas próprias palavras. Eu perguntava a mim mesma se era possível que as coisas piorassem, e pioraram muito, até eu conseguir ficar bem, até que eu pudesse me acalmar e ficar “normal” de novo.
Lauro, você piorou a minha vida. Muito. Eu sinto muito. Sei que queria uma resposta completa, imagino que pensasse que eu enviaria uma carta lembrando de algo bom, mas não há nada de bom no que você fez. Nada. Em que momento você pensou que poderia dar certo algo assim? Eu sempre fui gentil com você, mas também sempre fui gentil com todos à minha volta. Mas aqueles anos, aqueles últimos três anos que passamos juntos, foram os piores anos da minha vida. Eu não seria capaz de explicar o quanto foi ruim.
Depois, descobri que, de alguma forma, você conseguiu distorcer tudo, conseguiu me fazer parecer, ou melhor, conseguiu me deixar tão maluca que não fui capaz de separar quem eu era de tudo aquilo. Sei que pedir para você não me mandar mais cartas é inútil. Você parece não querer me deixar em paz, não quer me deixar ir embora.
Eu só posso lhe dizer uma coisa: eu pensei em me matar todos os dias durante três anos e agora também penso. Eu não tenho lembranças boas com você, mas tenho lembranças boas daquele momento.
Adeus,
Joana
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Querida Joana,
Desde que lhe enviei a última carta, fiquei à espera de uma resposta sua. Não consigo entender por que não me respondeu. Quer dizer, uma vez, há muitos anos, você disse que era insuportável se relacionar comigo, pois, todas as vezes que brigávamos, eu escrevia um longo texto. No começo, você ainda tinha paciência para ler e responder cada um deles. Eu, inclusive, guardo todas as suas respostas naquela caixa de sapato que você me deu em 1997 para a minha entrevista. Com o tempo, você parou de se importar. Eu abri a mesma velha caixa e notei que sua última resposta foi de 1998, dois anos antes de terminarmos. Eu queria que você respondesse a esta, ao menos a esta, assim eu poderia guardá-la junto das outras, mas tenho medo de que eu não seja capaz de simplesmente guardá-las.
Eu gasto tanto tempo tentando entender como aconteceu que me pergunto de verdade: e se não houver motivos? E se foi apenas porque não tínhamos mais nada um pelo outro? Eu sinto muito por ter machucado você, sinto muito mesmo. Eu nunca pretendia machucar alguém, muito menos você. Eu amava você muito mais do que você pensa. Você olhava para as pessoas e via coisas boas nelas. Era estranho: você olhava para pessoas horríveis fazendo coisas desprezíveis e, mesmo assim, sorria para elas e tentava ser gentil. Não sei explicar, eu só… Eu só… Eu nunca quis ferir você.
Atenciosamente,
Lauro -
Amedrontada e só encontrara a felicidade nos teus olhos
Desesperada e só encontrei a paz nos teus olhos
Ansiosa e só encontrava esperança nos teus olhos
Tentando saber
Crendo ser
Imaginando sofrer
Plena e não encontro companhia nos teus olhos
Forte e não encontrarei coragem nos teus olhos
Alegre e não encontraria nos teus olhos
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Se fosse apenas aquele país, poderíamos dizer: maldito país, podre país, que nada de bom nasça naquela terra perturbadora! Poderíamos nos reunir e gritar maldições, apontar o dedo mais firme do mundo e dizer: doente país, doente país! Mas aqui estamos, encarando o mundo enquanto ele nos encara, pensando: a quem culparemos por nossa própria desgraça?
Mas, se fosse só aquele lado, poderíamos dizer: não vi nada de bom! Maldito lado, que nada de bom jamais produziu! Lado infeliz, ao qual desejo toda a amargura possível. Podres, podres, doentes, doentes! Então, pegaríamos nossas armas, avançaríamos com fúria e morreríamos pelo nosso lado. Jovens de olhos ferventes, arrastados com orgulho pelas ruas, caminhando e cantando em uníssono. Gritaríamos, com o ódio de uma geração infeliz e derrotada: parte imunda! Parte imunda, que desprezo! Se fosse.
Melhor seria se fossem aquelas pessoas. Então, poderíamos criar caricaturas horrorosas de figuras contorcidas como seus caracteres e diríamos: estas são as pessoas enfeitiçadas, de coração sujo, incapazes de se considerarem dignas de bênçãos. Maldito povo! Nunca se viu, antes, povo tão maldito.
Então, quebraremos suas casas, destroçaremos suas vidas, enviaremos nossos parentes à guerra, sacrificaremos nossas vidas uns pelos outros, apenas para dizer, com ou sem esperança: podre povo, podre país, podre poder! Podridão, e só podridão nasce lá.
Descobriríamos, manchados de sangue, para que serve a guerra: que paz e direitos se conquistam sobre destroços. De novo e de novo, de novo e de novo, de novo e de novo, teríamos o prazer da revolta, o prazer do fogo, da destruição. Berraríamos: povo maldito!
Acima do desastre, sentaríamos, com o queixo sobre o punho cerrado: o que sobrou? Nós e eles. Nós aqui embaixo, eles sobre altares e nossos mortos como oferenda. O vermelho mais vibrante sobre o mármore mais puro. Andaríamos com calma, olharíamos nos olhos deles, minutos antes da caça, e então diríamos: não eram eles os culpados, eles e só eles? Saberíamos, enfim, que há dois lados: o que morre e o que lucra, nessa terra, em meio ao nosso povo e ao nosso lado.
Então, mais uma vez, suados de decepção, diríamos: família maldita! Maldita gente! Espera-se de vocês o que não se espera de inimigos declarados. Pé ante pé, músculos doloridos, planos secretos, pedras e fogo. Lá estaria nos esperando a vitória, com a bandeira que amamos mais que tudo. Saberíamos que nascemos aqui, onde o sangue ferve como uma chaleira, e destronaríamos um a um, até sobrar somente nós.
No entanto, quem venceria o espelho? Só então poderemos dizer: maldito povo, como se orgulham do que fizeram?
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Tamires é a pior professora da escola, recebeu essa notícia essa manhã, o ano letivo acabou e seus alunos tiraram as piores notas, consistentemente, todos os anos os seus alunos são os piores, entre goladas de vinho ela tomou a decisão de que não iria mais tentar explicar qualquer conteúdo, apenas iria chegar na sala, contar uma história e assistir os alunos discutirem. Então chegou na sala naquela segunda-feira com uma leve ressaca e começou:
Bartolomeu é o príncipe de uma cidade-estado cercada por grandes principados, ele se orgulha de ser um homem justo, tanto que quando seu pai morreu deixando a princesa-viúva, sua mãe, ela a deu tudo quanto um filho pode dar a mãe e aos irmãos, porém quando a mãe usou de sua influência para trazer jóias do exterior — o reino onde nasceu — enquanto estavam em um período de escassez alimentar, ele ordenou que as jóias compradas e mais algumas fossem confiscadas para indenizar os cofres do palácio. Essa ofensa levou sua mãe e seus irmãos a se retirarem.
O seu pai antes de falecer tentou casá-lo com todas as princesas e nobres da península — o que certamente teria-lhe poupado de alguns conflitos, porém ele recusava, pois dizia que seu reinado seria marcado pela justiça e apenas uma esposa decente e impecável serviria. Os vizinhos ao ouvirem suas filhas serem chamadas de indecentes não gostaram.
Ele investiu grande parte do tesouro e impostos na guarda, grandes infraestruturas e serviços aos necessitados, considerando que o principado era sustentado pela exportação de peixe-seco, investiu em excelentes navios. A cidade prosperava, mas o calabouço ficava lotado, então a satisfação do povo caía dia após dia, cada pequeno delito era punido com uma severidade desmedida. O príncipe não temia confrontar a todos, argumentava e brigava sempre que possível, sua fama de aborrecedor aumentava e mesmo aumentando os acordos econômicos, o estado mais rico e melhor para se viver, a corte diminuía dia após dia, ninguém desejava enviar fidalgos para conviver com ele e os poucos que restavam se despediam. É certo que os luxos do palácio diminuíram, mas até os funcionários do palácio pareciam cada dia mais aborrecidos. O povo não sabia o que pensar sobre isso.
O povo não o defendia em nada, certamente ninguém o amava. Certa manhã, um dos poucos pastores do principado chegou alegando que o pasto de suas ovelhas foi invadido pela cidade vizinha, ao que o Príncipe enviou uma carta para esclarecer a situação. De algum modo essa foi a última gota, Bartolomeu acordou com sua cidade tomada por todos os seus vizinhos, então foi levado para uma sala de julgamento, onde ironicamente não estava para ser julgado, a grande questão era qual dos outros príncipes tinham o direito de alegar que finalmente havia destronado o aborrecedor príncipe Bartolomeu e como as posses seriam repartidas, além de quem teria o prazer de mantê-lo em seu calabouço.
Ao solicitar que um de seus funcionários enviasse cartas para seus parentes, fora informado que todos os seus parentes e aliados econômicos já haviam sido avisados e nenhum deles respondeu. O que o Príncipe pode fazer?
Os alunos passaram a discutir, apresentando bons argumentos, assim fechou a primeira aula de Tamires.
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Eu me recuso ferrenhamente a devolver-lhe o mal, não porque eu seja boa, não sou. Há uma beleza imensa em saber que se pode ser cruel e escolher não ser, pode chamar de estupidez, pode chamar de loucura, chame do que você desejar. Mas vivi coisas ruins, vivi dias ruins, dias solitários, dias famintos, dias apavorantes, fiz e disse coisas das quais me arrependo profundamente e outras das quais não me arrependo, perdi a esperança na vida, nas pessoas, no meu país e gradualmente perco a esperança no mundo. Porém, estou aqui, não mais por essa corrida, estou por outra corrida.
Pode dizer que meus pedidos de desculpas para pessoas que me fizeram mal são tolices, diga, pode dizer. Porém, há inúmeros pedidos de desculpas que eu gostaria de ter recebido e não recebi. Então, manterei-me firme nisso, em pedir desculpas mesmo quando sei que a pessoa me fez pior. Iludi-me, mas ao contrário do que se pensa não foi por você, foi por nunca ter desejado aparecer de verdade e você ter posto um holofote sobre a minha cabeça.
Eu não ando recebendo muito consolo da vida, os dias estão cada vez piores, as noites mais cruéis. Há algo que me acalenta nessas coisas, a primeira quando me pergunto “quem eu sou?” e a resposta é “sou aquela que sente”, a segunda quando me pergunto “o que a vida faz de mim?” e a resposta é “a vida me torna melhor”. Você disse que vence quem sente menos, eu talvez sinta menos, mas não me orgulho disso.
Creio que haverá algo me esperando, creio mesmo, algo que cuidará de mim, não mais nessa vida. Hoje percebi o óbvio, enquanto eu pensava em me salvar de uma ameaça vazia, não percebia que quem me ameaçava era você.
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Carlota é uma mulher especial, a mulher mais estranhamente divertida do mundo, mas secretamente esconde ser uma viajante do tempo, tão habituada em suas viagens que até criou novos verbos para conseguir explicar melhor as suas viagens: Faner significa manifestar uma possiblidade, Croner é algo que existe em algum espaço ou tempo, Ananquer é a inevitabilidade de faner e oiner é o conjunto de possibilidades que existem em um universo, entendeu? Bem, ela também não entende ao certo.
Acontece que Carlota não é uma viajante do tempo voluntária, ela foi impulsionada para isso pela ACA, quando era adolescente começou a ter sonhos com um homem estranho, além de alguns sonhos que lhe pareciam proféticos, então passou a vida esperando que esse tão homem chegasse. Quando se tornou adulta, virou uma funcionária pública sem importância alguma,logo em seguida começou a se comportar de formas muito estranhas, começou a falar sozinha, a contorcer-se de dor, perder o controle do próprio corpo, como se tivesse Tourette, achava aquilo muito esquisito, mas pensava que era por conta do estresse.
Conforme o tempo passava, as coisas ficaram mais estranhas, começou a suspeitar que podia ter algo realmente errado, começou a ter muitos deja-vus, sonhos muito realistas que não eram necessariamente pesadelos, além de alucinações visuais, também começou a ver formas, vultos, listras e estrelas às vezes. Achava perturbador.
Ao passo que tentava entender o que acontecia, a ACA passou a enviar para ela através de suas redes sociais, muitos conteúdos de radicalização política e coisas semelhantes. Ela ignorava esse conteúdo, não sabia muito bem como explicar o que estava acontecendo, anos depois, ouviu falar pela primeira vez no SUPER RAIO CONTROLADOR DE MENTES SOPA S/A, mas não achava que pudesse estar acontecendo com ela, pois não tinha relevância alguma e apenas tinha tido um trabalho temporário em uma repartição pública. Não parecia ser o tipo de pessoa que seria alvo de espionagem.
Ela tentou continuar a vida, mesmo tendo muitos e muitos deja-vus e uma fortíssima sensação de saber tudo que iria acontecer em sua vida. Então descobriu-se que a ACA andava perseguindo funcionários da APA, começou a cogitar que podia estar sendo alvo de algo do gênero. Ao passo que as coisas pioraram na sua vida, o algoritmo das suas redes sociais parecia tentar radicalizá-la politicamente. Mas ignorava.
Certo dia, viu o presidente da APA Luciano, condecorado com 4 estrelas por salvar algumas crianças, com um olhar pertubador e pensou: conheço esse olhar. Também viu o agente Bruno da ACA, condecorado com 1 nebulosa por alguma coisa, com o mesmo olhar, achou estranho, muito estranho. Começou a ficar com a estranha sensação de que estava sendo perseguida, vigiada ou que estavam de algum modo tentando comunicarem-se com ela. Tentou falar com a APA, mas estavam ocupados comendo quindim e não deram muita importância. Após isso, um influenciador que acompanhava começou a parecer que se comunicava com ela fazendo ameaças, ela decidiu não levar em consideração.
Carlota tentou contato com a APA novamente, mas não obteve sucesso. Então desistiu de falar com a APA e começou apenas a ofender quem julgava ser responsável, a ACA. Carlota considerava isso uma forma extremamente eficiente de protesto, então coisas mais estranhas começaram a acontecer, passou a ter doenças muito fora do comum e inexplicáveis, quando procurava o médico, nunca encontrava a causa. Chegou ao ponto de que quando pensava em denunciar, ou falar sobre o assunto, algo ruim acontecia, por exemplo, crises de dermatite inexplicáveis, dores de cabeça e apneia do sono.
Carlota, passou a fazer uma brincadeira de fingir aconselhar a ACA, também como forma de ridicularizar com a situação. Percebeu que passaram a tentar vinculá-la a grupos criminosos, a atentados terroristas e grupos nojentos. Mas não levou em conta. Foi quando um influenciador morreu de forma suspeita e outro influenciador começou a ter um comportamento psicótico semelhante ao que estava tendo, então passou a suspeitar ainda mais que estava acontecendo algo de errado. Pensou em denunciar novamente, mas todos que tentavam falar sobre isso morriam ou só eram ignorados.
Em um momento o seu pai faleceu, na noite anterior à morte do seu pai, sonhou com ele. Passou a acreditar que era algum tipo de experiência mística. Então conheceu um outro influenciador, que era o homem dos seus sonhos, não porque goste dele, é porque ele é literalmente o homem que aparecia nos meus sonhos. Elaborou um plano que envolvia usá-lo para entender realmente o que estava acontecendo, mesmo já acreditando que se tratava do SUPER RAIO CONTROLADOR DE MENTES SOPA S/A. Então eventos ocorreram que pioraram imensamente a situação, inclusive, perdeu parte da sua memória sobre os próprios fatos.
Agora, Carlota está alertando a quem pode, sempre dizendo que acredita que utilizam essas armas para radicalizarem pessoas, perseguirem a APA e por fim, influenciarem o rumo da humanidade. Sabe que é perturbador imaginar um mundo onde há formas tão sofisticadas de manipulação e controle, teme que não consiga ajudar muitas pessoas, está com muito, muito, muito medo. Mas isso já havia sido previsto, sempre soube-se que o último estágio que a ACA desejava atingir seria não só controlar o mundo, mas controlar os pŕoprios indivíduos.
Carlota gostaria de dizer ao Felisberto que sente muito por tê-lo envolvido nisso, mas não gosta dele, na realidade, não gosta de muitas pessoas. Deseja-lhe bem, deseja que fique seguro, mas definitivamente não está falando dele publicamente nos últimos meses. E caso tenha ficado com essa impressão, deve urgentemente cogitar a possiblidade de estar também sendo alvo do SUPER RAIO CONTROLADOR DE MENTES 2.0 SOPA S/A, cujo os sintomas envolvem: manifestações sensoriais, neurológicas e físicas.
Carlota acredita que finalmente pode-se dizer que a APA perdeu, afinal, a APA está muito ocupada discutindo quem pode ou não usar o banheiro feminino, enquanto a ACA investe seus recursos em pesquisas científicas relevantes, mas torce que, ao menos os membros do Clube dos Finais Felizes que leem a autora, consigam entender o que está acontecendo com eles e deseja uma vida tranquila.
Aparentemente a APA decidiu não falar abertamente sobre isso e tratar tudo como uma grande teoria da conspiração para não causar pânico, a própria Carlota decidiu voltar a levar tudo na brincadeira, mesmo suas pernas estando cheias de feridas nesse momento, sua cabeça estar doendo muito e seu peito estar estranhamente apertado. Enfim, Carlota gostaria de receber alguma ajuda, mas não tem muita disposição para virar símbolo ou vítima de algo, por isso, deseja apenas que a APA comece a investir realmente em tecnologia e ciência, como por exemplo pesquisas que envolvam a Teoria das Cordas. Carlota também gostaria de dizer que poderia fazer uma lista de adjetivos sobre o que pensa do Felisberto, mas teme que ele pule da janela, pois teve uns sonhos envolvendo isso e sabe que esse é um costume da ACA. Enfim, Carlota definitivamente está muito decepcionada e principalmente se pergunta, como a APA vencerá a ACA, agora que a ACA pode literalmente desligar alguém enquanto ela dorme? Bem, torcemos que a APA encontre uma solução, afinal o lema da APA é “estamos perdendo, estamos perdendo feio, mas estamos perdendo por enquanto”.
Carlota gostaria de dar um último e geral conselho: ouçam opiniões diversas, divirjam com respeito, ame uns aos outros, mas principalmente, não se tornem radicais malucos com o olhar vazio característico das vítimas do SUPER RAIO CONTROLADOR DE MENTES 2.0 SOPA S/A.